segunda-feira, 15 de julho de 2013

Aranha aquática tece o seu próprio tanque de oxigênio

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As aranhas aquáticas sobrevivem debaixo de água graças a um 'tanque de mergulho' rudimentar que tecem com a sua própria seda, revela um novo estudo agora conhecido.
Cientistas da Universidade de Berna, Suíça, determinaram que as aranhas usam estes tanques de mergulho, chamados sinos de ar, como reservatórios, seguindo e substituindo os níveis de oxigénio de forma a permitir aos animais sobreviver debaixo de água.
"O sino de ar das aranhas aquáticas está de certa forma a trabalhar como um pulmão externo", explica o co-autor do estudo Michael Taborsky.
Encontrada em lagos através da Europa do norte e central, a aranha aquática é a única aranha que passa toda a sua vida debaixo de água. Visto que estes pequenos aracnídeos castanhos respiram ar, adaptaram o sistema do sino de ar para recolher oxigénio da atmosfera.
O sino de ar serve para múltiplos propósitos, diz Paul Selden, professor de paleontologia de invertebrados da Universidade do Kansas. "A aranha aquática usa este sino de ar de forma a poder viver longe dos predadores terrestres e como ninho seguro para os ovos e para os juvenis." Para além disso, o sino de ar também é usado para acasalar e para devorar as presas.
Usando pequenos pêlos nas patas e no abdómen, as aranhas aquáticas aprisionam bolhas de ar que retiram da superfície da água, que depois transportam para reservatórios subaquáticos especialmente construídos com seda.
À media que a aranha enche a estrutura de seda com ar, esta assume uma forma de sino e um brilho prateado. A membrana sedosa permite a difusão do oxigénio para o interior e do dióxido de carbono para a água que a rodeia, de forma a que as aranhas não tenham que repor o seu suprimento de ar tão frequentemente.
Mas até à realização deste estudo, os cientistas não sabiam que as aranhas também usavam os sinos para respirar. A investigação será publicada na edição de Outubro da revista Journal of Experimental Zoology Part A: Ecological Genetics and Physiology
Para o estudo, os cientistas examinaram oito fêmeas de aranhas aquáticas, porque as fêmeas passam consideravelmente mais tempo nos sinos de ar que os machos.
A equipa substituiu o volume de gás no sino de ar de cada aranha com oxigénio puro, dióxido de carbono puro ou com ar ambiente para controlo para testar se as aranhas avaliam a qualidade do ar nos sinos. A ideia era que se as aranhas dependem dos sinos de ar como fonte de oxigénio, a sua capacidade de detectar quantidades elevadas de dióxido de carbono e restaurar um equilíbrio é crítica.
As aranhas do teste só reagiram ao tratamento de dióxido de carbono, emergindo mais frequentemente e aumentando o comportamento de construir sinos até que os níveis de oxigénio estivessem suficientemente elevados.
"O facto de as aranhas reagirem da mesma forma perante oxigénio puro e ar normal indica que devem medir o teor de dióxido de carbono nos sinos e não de oxigénio. O aumento da concentração de dióxido de carbono pode significar para a aranha que a estrutura de seda não está a manter a reserva de ar de forma adequada."

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